domingo, 1 de julho de 2012

Thomazinho - José Ribamar Bessa Freire*


Vai assim mesmo, no diminutivo com o qual os amigos carinhosamente o chamavam: Thomazinho. Quanto mais o tempo passa, mais ele permanece Thomazinho, vivo no afeto que se encerra em nosso peito juvenil. Depois da assustadora entrevista do ex-delegado do DOPS, Cláudio Guerra a Alberto Dines, no dia 5 de junho, no programa Observatório da Imprensa, Thomazinho ficou mais Thomazinho que nunca na nossa lembrança, em nós que não queremos, que não podemos esquecê-lo.

Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto, o Thomazinho, nascido em Parintins, ex-aluno do Colégio Estadual do Amazonas, ex-secretário geral da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), é o único amazonense incluído na lista oficial dos desaparecidos na ditadura militar. Filho de dona Maria, companheiro da Miriam Malina, com quem teve dois filhos - Larissa e Togo - ele foi preso no dia 7 de maio de 1974, quando viajava do Rio para São Paulo. De lá pra cá, nunca mais foi visto.

Agora, quem nos dá notícias dele é o ex-delegado do DOPS, Cláudio Guerra, atirador de elite, que aprendeu seu ofício com instrutores norte-americanos e treinou com especialistas em terrorismo e espionagem do serviço secreto de Israel - o Mossad, conforme declarou a Alberto Dines. Participou ativamente da repressão, seguindo as palavras de um de seus instrutores que lhe ensinou: "Existem os que morrem e os que matam, você tem que escolher seu lado".

Cláudio escolheu. Embora diga que não torturou, admite ser responsável por mais de 20 mortes: "Tirei vidas, só a misericórdia de Deus para perdoar". O ex-policial conta que recentemente encontrou Deus, que se converteu e, por motivação religiosa, para "encontrar a paz de espírito", se arrependeu de seus pecados. Ele acredita no inferno, aquele criado por Dante na Divina Comédia. Está com medo, com toda razão, da Justiça Divina. Por isso, resolveu se confessar. Escreveu o livro "Memória de uma Guerra Suja", lançado no mês passado, onde conta histórias de assassinatos e torturas durante a ditadura militar. Na entrevista, ele elucida:

“Hoje mais uma historia triste para esclarecer, é (do) desaparecido político Thomaz Antônio da Silva Meirelles. Esse fato só veio à minha memória posterior à edição do livro, não consta do livro essa história por isso eu estou vindo a público agora para poder esclarecer”.

“É... eu recebi um chamado do coronel Perdigão, como sempre era ele que fazia, e fui ao quartel da Barão de Mesquita, entrei no quartel... no pátio, você entrando pela guarda, você chega num pátio... e onde ali a tropa faz exercícios físicos, com pranchas abdominais, tem lá, acho que tem isso até hoje. Até uns anos atrás ainda tinha isso lá... E no fundo ficava o quartel... o presídio, que é um prédio com dois pavimentos, uma construção com dois pavimentos, a época existia também uma parte subterrânea não sei se tem hoje”.

“E ali o coronel Perdigão me entregou um corpo que estava num saco preto, né, e o subalterno dele, era comum, eles nunca dirigiam a mim a palavra porque existia uma separação entre o meu grupo... o grupo que eu servia e aquele grupo que estava ali de militares. O coronel fazia uma... pela disciplina que não tivesse conhecimento um dos outros, pois justamente para preservar o segredo da operação”.

“Ele me entregou esse corpo ali, eu não olhei, via de regra às vezes eu examinava, mas esse ai eu não examinei, e quando chegou em Campos que eu abri o saco para poder ver quem era, vi que se tratava de um homem aparentando ter mais ou menos 40 anos, por ai, ou talvez menos. E muito machucado, ele estava apenas vestido com um calção, não tinha as unhas das mãos estavam arrancadas, o rosto bem desfigurado pelas torturas, sinais de queimaduras...”.

“É triste estar falando isso para a família, mas a família precisa saber a verdade, saber o que aconteceu com o seu ente querido. Não justifica, não tem desculpa, não quero me eximir de culpa, mas esse esclarecimento eu devo à família, como eu devo a todas as famílias. Foi erro, foi passado, foi uma guerra suja como está no livro. Mas hoje eu me penitencio, porque hoje eu sirvo a Deus, eu quero é o perdão de Deus. E se a sociedade entender que isso é um dever, não só meu, mas de todos aqueles que erraram... e voltar e falar do que fizeram de errado é o momento de nós nos... não nos punirmos, mas poder esclarecer e olhar para Deus e para o homem sabendo que foi errado, para que não se repita mais”.

A brutalidade da cena no depoimento descritivo e o tom objetivo e distanciado do policial arrependido agridem nossa humanidade, mesmo que não se tratasse de Thomazinho, um militante querido que pagou com sua vida o ideal de mudar o mundo, mesmo que fosse alguém desconhecido, um bandido, um facínora. No caso, o discurso do policial não só reafirma a heroicidade de Thomazinho, mas também nos entrega essa “verdade” que estava sendo sonegada.

A pergunta agora é: quem matou Thomazinho, quem foram os responsáveis por essa cena de horror? Um dia antes da entrevista citada, a Comissão da Verdade se reuniu, na última segunda-feira, pela terceira vez desde que foi instalada em maio. Na ocasião, o ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que as Forças Armadas irão disponibilizar todas as informações que a Comissão da Verdade solicitar para apurar as violações aos direitos humanos. Será?

Cabe, então, requisitar e abrir os arquivos dos centros de informação do Exército (CIE), da Marinha (CENIMAR) e da Aeronáutica (CISA) que formavam o sistema de inteligência das Forças Armadas no período da ditadura. O coronel Perdigão está morto, parece, cabe, no entanto convocar Cláudio Guerra e quem mais possa fornecer informações sobre os torturadores e assassinos do Thomazinho.

Disponível em:
http://blogs.d24am.com/taquiprati/2012/06/10/thomazinho/
http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=983

terça-feira, 26 de junho de 2012

Comitê Estadual do Direito à Verdade, Memória e Justiça no Amazonas apura crimes praticados na Ditadura Militar

A Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) foi palco, nesta terça-feira (26), de Cessão de Tempo para tratar sobre o Comitê Estadual do Direito à Verdade, Memória e Justiça no Amazonas, instalado em maio deste ano, que tem como principal objetivo apuração de crimes praticados pela Ditadura Militar contra cidadãos amazonenses, bem como contra os índios Waimiri-Atroari. A autoria do debate foi do deputado José Ricardo Wendling (PT), que vem apoiando o movimento e discutindo esse assunto desde o ano passado.

O Comitê Estadual integra a Comissão Nacional da Verdade, instituída pelo Governo Federal para esclarecer casos de violação de direitos humanos durante a Ditadura Militar, inclusive, a autoria de tortura, mortes, desaparecimentos forçados, perseguições políticas e ocultação de cadáveres já perdoados pela Lei da Anistia, tendo como coordenador geral, Gilney Viana, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que também sofreu perseguição política nessa época.

No Amazonas, três episódios já estão no roteiro da investigação: o desaparecimento de dois mil indígenas da etnia Waimiri-Atroari (assunto de investigação da Comissão da Verdade, da Câmara Federal); o desaparecimento do líder estudantil, jornalista e sociólogo Tomaz Meirelles, nascido em Parintins, onde atuou abertamente na resistência em defesa da legalidade constitucional, contra a tentativa de golpe militar que se seguiu à renúncia do presidente João Quadros; e o suposto suicídio do sindicalista Antogildo Pascoal Viana, natural de Itacoatiara, mas que se mudou para o Rio de Janeiro, pouco antes do movimento que depôs João Goulart, para assumir o cargo de tesoureiro na Federação Nacional dos Estivadores e integrar o Comando Geral dos Trabalhadores.

De acordo com o deputado, o Comitê Estadual da Verdade tem caráter oficial, não de punir e nem de perseguir, mas de trazer a verdade para que a sociedade saiba o que aconteceu na época da Ditadura Militar. “E esta Cessão é uma oportunidade para que a Assembleia tome conhecimento desse trabalho que se inicia e da doação dessas pessoas que fazem parte da sociedade civil (cidadãos, entidades, partidos políticos, profissionais liberais, poetas, escritores, professores e estudantes) e que já participam desse Comitê e de outras que já se prontificaram em colaborar”, declarou ele, ressaltando que o Comitê irá auxiliar nas investigações da Comissão Nacional da Verdade, que terá dois anos para ouvir depoimentos, requisitar e analisar documentos que possam contribuir para esclarecer situações de violação de direitos.

Desaparecimento dos índios

Para o coordenador do Comitê Estadual da Verdade no Amazonas, indigenista e colaborador da Casa da Cultura do Urubuí (Cacuí), Egídio Schwade, uma parte muito importante desse trabalho é descobrir o que de fato aconteceu com os cerca de dois mil índios Waimiri-Atroari, que viviam ao longo da BR-174 (Manaus-Boa Vista), desapareceram nessa época e que tão pouco se sabe da verdade dos fatos. “Atuei no processo de alfabetização na língua desse povo e uma pergunta foi levantada diversas vezes por essa aldeia, as últimas 32 pessoas remanescentes de um total de cinco aldeias da margem direita do rio Alalaú: ‘por que os civilizados mataram a nossa gente?’. Por isso, digo que é uma obrigação da nossa sociedade, principalmente, das autoridades, dos políticos e da sociedade em geral, responder esse questionamento a esse povo que perdeu seus pais, seus filhos e avós, de forma brutal”.

Ele contou que, no início do século passado, existiam cerca de 6 mil índios nessa área. Já em 1967, foram reduzidos a 3.072, conforme pesquisas feitas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). E em 1975, restaram menos de 1 mil Waimiris, exatamente no período de maior agressão a esse povo.

“Em 1967, no início das obras da BR-174, quando os governantes locais (militares) perceberam que essas terras ao longo da estrada estavam ocupadas, começaram a desocupar com o uso de armas. Mas quando viram que era inviável invadir todo esse território, pediram ajuda ao Exército e atacaram por todos os lados. E a partir de 1977, quando a estrada foi inaugurada, iniciou um processo de abafamento de todas as informações criminosas”, disse ele, ressaltando que o slogan da ditadura estava em todos os cantos ao longo da BR-174: “vamos ocupar a terra sem gente para os homens sem terra”.

A verdade dos fatos

“É necessário que haja o esclarecimento da verdade e que se resgate a memória, mas, acima de tudo, é imprescindível que se faça Justiça. E é, para isso, que os comitês nos estados estão se organizando. Para tentar se fazer Justiça pelas pessoas que foram molestadas pela Ditadura Militar e que, até hoje, não têm notícias de seus familiares, porque simplesmente desapareceram”, declarou Luiz Navarro, integrante do PCB e membro do Comitê, enfatizando que o crime de tortura é horrendo e as famílias estão até hoje a chorar por seus mortos e desaparecidos.


Já para o professor Osvaldo Coelho, enquanto membro do Comitê da Verdade, representante da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua) e representante do Movimento Educar pela Cidadania, é preciso restabelecer a verdadeira história do Amazonas, mencionando que a ditadura fez várias vítimas na região.

E citou vários exemplos: o governador da época, quando apreciava o festival folclórico na então praça General Osório, foi preso à noite diante de toda a população que participava daqueles festejos; o saudoso padre Mário Ruas, então diretor da Faculdade de Filosofia, também foi preso na sede da diretoria por agentes militares, como ainda o atual prefeito de Manaus, enquanto líder estudantil.


“Lembro também de um trabalhador do Porto de Manaus, Antogildo Viana, que foi preso e levado para o Rio de Janeiro. E lá, num prédio do 6º andar, teria se suicidado, pulando pela janela, conforme foi anunciado pela Ditadura. Mas sabemos também que, naquela época, muitos líderes sindicais foram conduzidos de avião para dar uma volta pelo Atlântico e se suicidaram também, saltando pelas janelas do avião”, relatou ele, citando também o então prefeito de Benjamim Constant, que foi perseguido pela Ditadura e como outros tantos do Amazonas.

Violação de direitos humanos
 
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de Manaus, padre Guilherme Cardona, a sociedade brasileira quer resgatar esse direito humano, fundamental para sarar e para reconduzir as instituições do estado do Brasil. “Temos que mudar as forças armadas e as polícias, porque têm na cabeça que o inimigo está vivo na sociedade. É necessário resgatar o espírito verdadeiro e democrático, que foi contaminado, na sua essência, por essa presença autoritária e arbitrária da Ditadura Militar”.

Para essa Cessão de Tempo, foram convidados o coordenador e integrantes do Comitê da Verdade, dentre eles: indigenista e colaborador da Casa da Cultura do Urubuí (Cacuí), Egídio Schwade (coordenador), em Presidente Figueiredo; presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas, Wilson Reis; membro da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), Osvaldo Coelho; além de Gerson Medeiros (PSTU), Luiz Navarro (PCB) e Armando Clovis de Souza, representando os movimentos sociais.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Comissão da Verdade começa bem, trabalhando

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Comissão da Verdade

O ex-delegado do DOPS Cláudio Antônio Nogueira Guerra autor do depoimento do livro “Memórias de uma Guerra Suja”, do Rogério Medeiros e Marcelo Neto, passou esta 2ª feira depondo à Comissão Nacional da Verdade. Ao chegar para a audiência Cláudio Guerra, que detalhou para o livro métodos usados pelo regime militar contra os "inimigos" políticos, não quis dar entrevista. Na obra, contou por exemplo que foi responsável por incinerar os corpos de 10 presos políticos na fornalha de uma usina de Campos (RJ).

No depoimento à Comissão da Verdade, Cláudio Guerra reafirmou pontos de seu relato para o livro. Nesse relato, ele falou sobre a Casa da Morte, em Petrópolis, usada pelos militares para aprisionar e torturar presos políticos, sobre a qual O Globo iniciou uma série de reportagens desde domingo. A primeira foi com o coronel do Exército Paulo Malhães, que confessa que torturava. Malhães, um tenente coronel reformado que como torturador era o "Dr. Pablo", contou ao Globo que tinha cinco jacarés e uma jiboia, usados em tortura em quartel do Exército da Tijuca no Rio. De acordo com Malhães, ele mesmo capturou os animais na Amazônia, quando foi reprimir a Guerrilha do Araguaia. A secretaria da Comissão da Verdade confirmou que os conselheiros começaram a estudar nesta 2ª feira ir ao Rio para tomar o depoimento de Malhães.

Herzog
A ministra Maria do Rosário programou encontro com Clarice Herzog e Ivo (presidente do Instituto Vladimir Herzog), viúva e filho do jornalista assassinado em outubro de 1975 no DOI-CODI do ex- 2º Exército, agora Comando Militar do Leste. Foi a ministra que convidou os familiares de Vladimir Herzog para o encontro, porque a família ficou tremendamente agastada com a resposta atravessada que o Estado e o governo brasileiros deram a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (CIDH-OEA), que mandara a União investigar o assassinato.

Estado e governo brasileiros disseram-se impossibilitados de fazer a investigação porque a Lei de Anistia recíproca, de 1979, os impede. Pior, anexaram à resposta o atestado de óbito do jornalista em que o DOI-CODI/Exército escreveram que ele se suicidou, o que foi desmascarado há muito tempo e que não foi mudado até hoje no documento. Mais: quem fez a resposta disse à OEA que a família já recebeu honrarias e compensações materiais. Maria do Rosário convocou Clarice e Ivo para discutir o que fazer agora.

(Foto: Roberto Stuckert/PR)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cessão de Tempo para divulgar o Comitê Estadual do Direito à Verdade, Memória e Justiça no Amazonas, que apura crimes praticados na Ditadura Militar

Às 9h desta terça-feira (26), a Assembleia Legislativa do estado (Aleam) abrirá espaço para discutir, em Cessão de Tempo, sobre o Comitê Estadual do Direito à Verdade, Memória e Justiça no Amazonas, instalado em maio deste ano, que tem como principal objetivo apuração de crimes praticados pela Ditadura Militar contra cidadãos amazonenses e a inclusão dos índios Waimiri-Atroari. A autoria do debate é do deputado José Ricardo Wendling (PT), que vem apoiando o movimento e discutindo esse assunto desde o ano passado.

O Comitê Estadual integra a Comissão Nacional da Verdade, instituída pelo Governo Federal para esclarecer casos de violação de direitos humanos durante a Ditadura Militar, inclusive, a autoria de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, perseguições políticas e ocultações de cadáveres já perdoados pela Lei da Anistia, tendo como coordenador geral, Gilney Viana - da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

No Amazonas, três episódios já estão no roteiro da investigação: o suposto desaparecimento de dois mil indígenas da etnia Waimiri-Atroari (assunto de investigação da Comissão da Verdade, da Câmara Federal); o desaparecimento do líder estudantil, jornalista e sociólogo Tomaz Meirelles, nascido em Parintins, onde atuou abertamente na resistência em defesa da legalidade constitucional, contra a tentativa de golpe militar que se seguiu à renúncia do presidente João Quadros; e o suposto suicídio do sindicalista Antogildo Pascoal Viana, natural de Itacoatiara, mas que se mudou para o Rio de Janeiro, pouco antes do movimento que depôs João Goulart, para assumir o cargo de tesoureiro na Federação Nacional dos Estivadores e integrar o Comando Geral dos Trabalhadores.

O Comitê irá auxiliar nas investigações da Comissão Nacional da Verdade, que terá dois anos para ouvir depoimentos, requisitar e analisar documentos que possam contribuir para esclarecer situações de violação de direitos.

Para essa Cessão de Tempo, foram convidados o coordenador e os integrantes do Comitê da Verdade, dentre eles: indigenista e colaborador da Casa da Cultura do Urubuí (Cacuí), Egídio Schwade (coordenador), em Presidente Figueiredo; presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas, Wilson Reis; membro da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), Osvaldo Coelho; além de Gerson Medeiros (PSTU), Luiz Navarro (PCB) e Armando Clovis de Souza, representando os movimentos sociais.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Comissão da Verdade vai acessar relato de Dilma sobre tortura

Uma assessora da Comissão da Verdade está em Belo Horizonte e vai acessar o depoimento da presidente Dilma Rousseff, arquivado no Conselho de Direitos Humanos de Minas (Conedh-MG), sobre as torturas que sofreu enquanto estava presa no período da ditadura militar, informou nesta segunda-feira o coordenador do grupo, Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"A pesquisadora já estava lá, com pesquisas que tem na Universidade Federal de Minas Gerais, e vamos aproveitar para que ela faça esse contato", disse Dipp à Agência Brasil. Segundo ele, a assessora poderá auxiliar a comissão verificando, além dos arquivos divulgados no domingo e hoje pelos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas, outros documentos que ainda não tenham sido abertos.

No testemunho prestado por Dilma em 2001, ela descreve as sessões de tortura às quais foi submetida em 1972, em Juiz de Fora. Ela revelou que chegou a ser agredida com socos no maxilar. "Minha arcada girou para outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu", relatou Dilma. "Só mais tarde, quando voltei para São Paulo, o Albernaz (capitão Alberto Albernaz, do DOI-Codi) completou o serviço com um soco, arrancando o dente."

Gilson Dipp disse que ainda não foi discutida, dentro do grupo, a possibilidade de ouvir a presidente sobre as torturas que ela sofreu em Minas Gerais.

Segundo as reportagens publicadas pelos jornais, do grupo Diários Associados, Dilma tinha 22 anos quando foi presa. Ela militava no Comando de Libertação Nacional (Colina), grupo considerado terrorista pelos militares, e usava codinomes como Estela, Stela, Vanda, Luíza, Mariza e Ana.

domingo, 10 de junho de 2012

Criado o Comitê Pela Verdade, Memória e Justiça do Amazonas

Mais de 100 pessoas participaram, na segunda-feira (14/5), do Manifesto para formação do Comitê pela Verdade, Memória e Justiça do Amazonas. Entre os participantes estava o representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gilney Viana. O comitê terá como principais desafios o levantamento completo dos desaparecidos políticos e dos mais de 2 mil Waimiri-Atroari massacrados entre as décadas de 1960 e 1980, durante a Ditadura Militar.
O desaparecimento de indígenas ocorreu em toda a Amazônia, porém eles não constam nas listas oficiais dos desaparecidos. Com a inclusão dos Wamiri-Atroari nas listas oficiais, o número de vítimas da Ditadura deve triplicar. O comitê deve auxiliar a Comissão da Verdade, da presidência da república, a responder lacunas como: “Por que kamña (civilizado) matou Kiña (Wamiri-Atroari)?”, “O que é que kamña jogou do avião e matou Kiña?”, “Apiyeme-yekî” (por quê)?.

Participam da coordenação do Comitê pela Verdade, Memória e Justiça do Amazonas os seguintes:
Egydio Schwade (CACUí)
Paulo Monte (Professor da UFAM)
Antônio Fábio Mendonça (OAB)
Hideraldo Lima da Costa (ANPUH)
Wilson Carlos Braga Reis (Sindicato dos Jornalistas)
Luiz Antonio (Sindicato dos Sociólogos) 
Deputado José Ricardo (PT)
Luiz Navarro (PCB)
Gerson Medeiros (PSOL)
Oswaldo Coelho (Advogado)
Carlos Gomes Aragão (Pesquisador)
José Ribamar Mitoso (Professor UFAM)
Vitor Cruz e Silva (estudante de direito)
Paloma Maquiné da Silva (estudante de direito)
Adriano Gonçalves Feitosa (estudante de direito)
Thales José da Silva Feitosa (estudante de direito)
Aline Vasques Castro (estudante de direito)
 
Fonte: http://urubui.blogspot.com.br/2012/05/criado-o-comite-pela-verdade-memoria-e.html

O Comitê Estadual do Direito à Verdade, Memória e Justiça do Amazonas foi criado no dia 21 de maio